A perda do dedo mínimo da mão esquerda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou ao centro das discussões políticas após o confronto com Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite desta sexta-feira (23), na TV Globo. Durante o debate, o senador fez uma provocação envolvendo os nove dedos do presidente, ao criticar a proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana. A declaração gerou risos entre apoiadores e levou Lula a cobrar um pedido de desculpas, que foi feito pelo adversário.
O episódio reacendeu questionamentos sobre a história do acidente e relatos que Lula apresentou ao longo dos anos. O fato documentado é que o presidente perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em 1964, quando trabalhava como torneiro mecânico na metalúrgica Independência, na zona sul de São Paulo. Na época, ele era um jovem trabalhador e atuava durante o turno da madrugada.
Segundo os relatos do próprio Lula, uma prensa apresentou problemas e ele tentou ajudar a consertar o equipamento. Enquanto manuseava a máquina, o operador teria se distraído e acionado o mecanismo, prensando sua mão. O presidente também contou que precisou esperar até o amanhecer para receber atendimento médico e que o dedo acabou sendo amputado.
Ao longo da carreira política, Lula também relatou constrangimentos causados pela amputação, afirmando que chegou a esconder a mão por vergonha e que precisou se adaptar a atividades cotidianas. Em entrevistas, ele relacionou o episódio às condições precárias de segurança enfrentadas pelos trabalhadores da indústria naquela época. Os relatos mantêm os principais elementos do acidente, embora existam diferenças pontuais na descrição de como tudo aconteceu.
A principal controvérsia surgiu em agosto de 2023, quando Lula afirmou, em tom de brincadeira durante um evento sobre pesca artesanal, que havia perdido o dedo ao pegar caranguejos em Pernambuco. A fala foi posteriormente compartilhada nas redes sociais como se fosse uma versão literal dos fatos. Checagens do Projeto Comprova e do Aos Fatos esclareceram que se tratava de uma piada e que o acidente de trabalho em São Paulo é a versão confirmada pelas informações disponíveis. Portanto, apresentar a história do caranguejo como prova de que Lula inventou o acidente seria enganoso.
Outro boato recorrente afirma que o presidente teria provocado o próprio acidente para conseguir aposentadoria por invalidez. Essa alegação não tem fundamento nas checagens publicadas: Lula recebeu uma indenização pelo acidente e não se aposentou por causa da amputação. Assim, embora a fala sobre o caranguejo tenha alimentado questionamentos e críticas políticas, não há evidências que sustentem a acusação de fraude previdenciária.
A discussão voltou à arena eleitoral no debate de sexta-feira, quando Flávio Bolsonaro utilizou a ausência do dedo em uma crítica à proposta de transporte público gratuito aos fins de semana. Lula reagiu e exigiu desculpas, que foram apresentadas pelo senador. O episódio transformou uma história pessoal do presidente em mais um ponto de confronto entre os candidatos, às vésperas do segundo turno. Para além das provocações, os fatos disponíveis confirmam o acidente de trabalho em 1964, enquanto a suposta fraude e a interpretação literal da história do caranguejo não encontram respaldo nas checagens realizadas.
Por: Redação
Foto: Divulgação redes sociais Lula


