A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma forte reação negativa nos mercados financeiros internacionais na noite de domingo (25). Nesta segunda-feira (26), contratos futuros negociados em Chicago chegaram a indicar uma cotação equivalente a R$ 5,60 por dólar, refletindo uma desvalorização de aproximadamente 10,5% do real, com perdas que chegaram a 12% em determinados momentos. O movimento ocorreu após o resultado eleitoral contrariar as expectativas de investidores que apostavam na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A reação também atingiu os investimentos brasileiros no exterior. O ETF EWZ, que acompanha ações de empresas brasileiras negociadas nos Estados Unidos, registrou forte queda no pré-mercado, enquanto ações de bancos e da Petrobras também recuaram. O cenário indica preocupação de investidores com os rumos da política econômica, especialmente em relação ao controle dos gastos públicos, à trajetória da dívida e à responsabilidade fiscal durante o novo mandato presidencial.
A alta do dólar pode pressionar os preços de combustíveis, produtos importados, eletrônicos e insumos utilizados pela indústria, além de dificultar o controle da inflação. Embora a reação inicial do mercado não determine, por si só, o desempenho futuro da economia, a intensidade do movimento representa um sinal de desconfiança dos investidores diante do resultado das urnas e das perspectivas econômicas para os próximos anos. A cotação de R$ 5,60, porém, corresponde ao mercado futuro internacional, e não ao fechamento do dólar comercial no Brasil.


